sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Checklist

  • Trânsito
  • Enchente
  • Radares
  • Multas
  • IPVA
  • Seguro obrigatório
  • Seguro particular
  • Licenciamento
  • Carteira de motorista
  • Renovação da carteira de motorista
  • Manutenção
E ainda me perguntam por que eu não tenho carro...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Eu ganhei a guerra

Eu ganhei a guerra. Sem sequer apertar o gatilho. Nada mais do que meu próprio conhecimento foi necessário. E nem foi difícil. Tava na cara que ia dar nisso. O inimigo é frágil. Eu conheço todos os pontos fracos dele. Desde o início. Por isso, eu ganhei a guerra. Mas não receberei condecoração, nem medalha de honra ao mérito. Nem prêmio em dinheiro. Não fiz mais que a obrigação. Meu general levará a fama. Mesmo sendo ele meu pior inimigo. E foi justamente ele que eu venci.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Polaroid

Lá fora: chuva
Aqui dentro: tédio
No mp3: Otto, Érika Machado, Pullovers e Mustang
No rosto: barba
Instrumento: baixo fretless e freted. Stagg & Fender


Mais perguntas?: www.formspring.me/marcioapviana

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

No meio do caminho

Na dúvida entre enfrentar o turbilhão ou saltar, decidiu não escolher. E adormeceu na beira do abismo.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Pela metade

Colocou o jornal sobre a cabeça para se proteger da chuva. Era o máximo que conseguiria naquele momento. Nunca foi de carregar guarda-chuva ou agasalho. Ficou pensando nas notícias do dia. Todas aquelas informações ainda teriam validade? Aqueles acontecimentos poderiam tomar outro rumo? Sentiu-se um idiota, filosofando a respeito daquele objeto inanimado. Concluiu reconhecendo que eram nada mais que três camadas: chuva, jornal e cabeça. Pouco importava se aquele pedaço de papel era suporte de milhões de palavras. Naquele momento, era apenas um instrumento que mal servia para o proteger da chuva. Chuva pra lavar a alma. Chuva pra se misturar com lágrimas. Lágrimas que não eram dele. Que não eram de ninguém. Que foram derramadas. Que se misturaram às chuvas. Que seguiram com a enxurrada. Que atingiram os córregos. Que se diluíram com os produtos químicos vindos de alguma fábrica. Que se juntaram ao esgoto. Que não são mais lágrimas.


Atravessou a rua. Encontrou a marquise de um supermercado, ficou embaixo. Aos poucos, a chuva ia diminuindo. E ele poderia pensar em algum lugar para onde ir.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Praticamente nada


O seu orientador dava os últimos detalhes na beira do palco do auditório da universidade, onde dali a poucos minutos ele apresentaria a defesa de sua tese de doutorado. Foram anos de pesquisa. Anos bem vividos? Não tinha tanta certeza. Mas estava ali. Seu casamento resistira, embora as horas na frente do computador, entre pesquisas e redação tomassem de si o tempo necessário para carinhos e obrigações conjugais. Olhou para a platéia, localizou sua esposa na terceira fila. Ela não gostava de ficar logo na frente, não apreciava exposição excessiva. Mas estava com ele, sempre o apoiando. Deu um sorriso, e ela retribuiu. Lembraria desse sorriso e choraria mais tarde, emocionado. O orientador continuava a falar, tal qual um treinador dando orientações a um boxeador. Pensou na analogia que acabara de fazer, julgou ser mesmo semelhante sua situação com a de um lutador prestes a entrar no ringue. A banca examinadora posicionada, como os juízes de uma luta. O adversário? Sua própria consciência, talvez. Ou a sociedade. Como encarariam a tese que ele iria defender? Achariam absurda e descartariam a utilidade prática daquele trabalho? Nesse caso, como ficaria seu orientador? Tomaria partido ou lavaria as mãos? Absorto em suas divagações, nem ouviu as últimas recomendações de seu mestre/treinador. Era o momento de subir ao palco e defender sua tese. Estava bem alinhado, o terno comprado especialmente para o evento, capricho de sua esposa, já que mal tinha tempo e senso para escolher a roupa que vestiria. Apresentado, era a sua vez. Cumprimentou a banca, deu boa noite aos convidados e se preparou para falar. Não se lembrava de uma palavra dita pelo orientador, nem mesmo do que ensaiara antes de chegar. Acionou a apresentação do PowerPoint e tentou começar. As palavras não saíram. Começou a suar. Olhou novamente para a terceira fila da platéia, buscou forças e resolveu falar o que seu coração pedia:
“Senhoras e senhores, este trabalho é fruto de alguns dos anos mais solitários de minha vida. Os anos que passei dormindo mal, me alimentando de forma errada e automática. Nestes anos, não pude diferenciar o clima, não sabia se chovia ou se fazia sol, exceto pelos dias em que fui obrigado a ir a campo, atirando no escuro para comprovar algo que nem mesmo sei se é verdadeiro. Senhores, façamos um exercício de imaginação. O que vale mais para um leigo? Saber o motivo daquele tom alaranjado no céu ao amanhecer, ou apreciar a bela cena ao lado de alguém de quem gosta? Entendam: não estou aqui querendo desmerecer o trabalho dos cientistas, tudo isto diz mais respeito a mim do que a eles. Entendo hoje que desperdicei alguns bons momentos a troco de algo que nunca usarei em minha vida prática. Mais do que isso: limitado às minhas pesquisas, não tive jamais uma vida prática. Sei menos do que um operário, não nego. Fico aqui a pensar o quanto sou capaz de transmitir aos meus futuros pupilos, e o quão importante será para eles os ensinamentos que eu julgava importantes até uma hora atrás. Senhores, tenho que confessar: este meu "surto", minha “ficha caindo”, se devem exclusivamente a um sorriso na terceira fila. O sorriso de quem nunca deixou de acreditar que eu fosse estar aqui. O sorriso de quem, mesmo querendo que eu estivesse por perto, vendo as folhas caírem no outono, nunca foi capaz de me cobrar. E hoje estou aqui. Apresentando o resultado da minha reclusão. Do meu desligamento do mundo. Para quê? Não sei. Não sei. Pra satisfazer meu ego, talvez. Pra satisfazer aos requisitos do mercado de trabalho, o mais provável. Fato é que eu não queria estar aqui. Não tenho talento pra enganar ninguém. Talvez ainda haja tempo de recuperar o que deixei para trás. Quem quiser saber de mim, me procure na beira de um lago qualquer. Ou numa praia deserta. Ou num sítio, sentado numa pedra, observando as formigas carregarem folhas num dia de verão. Pensando melhor, não me procurem. Vão vocês também procurar o que fazer, ao invés de ficarem trancados dentro de si mesmos, fingindo saber o que não sabem, fingindo que têm talento para avaliar o que não pode ser avaliado. Desculpem por fazê-los perder tempo comigo".

Dito isso, se retirou. Não esperou para saber sua nota (a banca lhe daria um 10, não fosse sua apresentação petulante, alguém diria depois). Correu para a terceira fila. Lá, aqueles mesmos olhos que o observavam estavam atônitos. Mesmo assim, havia um ar de admiração naqueles olhos. E além dele, estes olhos não viam mais ninguém. Saíram apressados. Um silêncio constrangedor tomava conta do ambiente.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Tudo por ti

Composição do cantor Maurício Pereira:

Tudo por Ti
(Maurício Pereira)

amigos
mais nada me redime
eu esqueci meu coração no local do crime
em mim
não trago qualquer inocência
sou obrigado a aceitar essa bestial evidência
(porque)
não sou mentiroso
mas menti
não sou assassino
mas saci
não sou subversivo
mas subi
não sou cachorro
mas...
e tudo por ti...
meu amor
ela
passiva e desconcertante
estraçalhou a minha paz fitando-me por um instante
foi
de uma brutal imprudência
me entregar a uma mulher levado por total demência
(porque)
refrão
depois
de me oferecer a beleza
me fez conhecer o terror e eu provei sua cruel frieza
pensei
"hoje eu não quero sofrer!"
foi tudo simples loucura, esse amor deve morrer…
(porque)
refrão
onde estou?
caminho a esmo
mísero farrapo humano à procura de si mesmo
liberdade!
liberdade para o coração!
de todos os seres da terra possuídos por alguma paixão
(porque)
refrão

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Rascunho, rabisco, chame como quiser...

"É contra a corrente que eu prefiro remar/abusando da sorte, dando sopa pro azar..."

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Sobre entrelinhas, reticências e outros quetais

E se o melhor que eu puder dizer pra você seja possível apenas por meio de comunicação não-verbal? E se eu não tiver um lápis, caneta ou laptop? E se você não entender minha língua, minhas gírias, minha gagueira ou meus cacoetes? E se nada que eu disser resolver teus problemas? E se eu falar o que você não quer ouvir? E se eu me negar a falar? E se as reticências forem mais relevantes do que as palavras? E se as coisas relevantes estiverem nas entrelinhas? E se o barulho lá fora for ensurdecedor? E se o silêncio aqui dentro for amedrontador? E se nada fizer sentido? E se fizer todo sentido? E se tua educação formal não te ensinou como ser humano? E se tua humanidade não te garantiu o profissionalismo? E se eu parar de te questionar? Sua inquietação terminará? Ou sentirá falta de uma nota dissonante?
Sendo assim, me despeço. Deixo como herança algumas entrelinhas e reticências. Faça bom proveito!

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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Nãotententender

Apesar dos pesares, parabéns a você, que me acompanha há tempos, e que me proporcionou uma mudança significativa na vida. Mas tem uma coisa: a mudança aconteceu não só por tua causa. Eu faço parte da tua mudança também, e você ainda não é do jeito que eu imagino. Temos que parar de pensar unilateralmente. Mesmo assim, parabéns.