Começou a contestar a utilidade e a exatidão dos marcadores depois que começou a ser frequentador assíduo de balanças e medidores de pressão arterial. Sempre havia uma diferença entre uma e outra, e isso o incomodava demais. é claro que era importante manter o peso ideal, mas até que ponto a calibragem daqueles aparelhos era verdadeiramente precisa, e até que ponto era possível avaliar se havia para ele a necessidade de se equilibrar?
Batata Filosófica
Petulâncias avulsas e filosofia de botequim pra ninguém botar defeito
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Livre
Não faço concessões, não vendo a alma, não escrevo ditados. Não sou garoto de recados, não entro em fogo cruzado, não me esquivo, mas não exponho. Não sou calado, apenas não perco as palavras com plateia ruim. Já foi o tempo em que tolerava companhias indesejadas. Não faz meu estilo bater palma pra doido dançar.
Livre!
Livre!
terça-feira, 28 de junho de 2011
entre aspas
"Majestade, pense na minha situação: me especializei o suficiente pra construir castelos, mas só me pedem pra fazer edículas!"
***
"Pois é, doutor, é isso que acontece por aqui: o pessoal aparece, quer mergulhar, diz que ali é a fonte da juventude. Eu explico que é uma fonte comum, mas ninguém acredita. Já saiu um monte de gente desacordada daqui. Por sorte, ninguém morreu afogado até agora. Por que é que ninguém quer ficar velho, hein, doutor?"
***
"Olha esse menino aí: por que será que ele fala tão pouco e desenha tanto? E uns desenhos tão esquisitos, tão sem sentido?" "Não diga isso, rapaz. Esse garoto tá desenhando a nossa vida daqui a cinquenta anos. Pena que nem todos enxergam as cores das tintas que ele usa".
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Perdas e danos
Já perdi o medo do escuro, mas depois que te perdi, ele resolveu voltar.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Sanidade
"Disfarçamos frustração com arte", uma amiga me disse. Nada mais sábio. Um mantra pra cantar diariamente, uma frase pra tatuar, um grafite numa parede do caminho diário. Esta frase é que me traz para este lugar, esta frase é minha condução. Dois caminhos opostos, frustração e arte. A gente vê nossa memória sendo devastada, e quando a gente a registra, alguém pode resolver usá-la da forma errada, por ignorância ou más intenções. Eu ainda fico triste com a perda mais recente, e não consigo transformá-la em arte. É uma navalha que ainda corta minha razão. De vez em quando, penso estar enlouquecendo. Nas outras vezes, acho que é assim mesmo que tem que ser. Embora a essência tenha mudado, ainda junto as minhas mãos. Mais do que antes, as dúvidas prevalecem. Tenho me saído bem nos testes físicos e mentais que a vida tem me imposto. Ao meu lado, o apoio irrestrito e incondicional de alguém que nasceu pra mim. Isso basta.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
A memória que esquecemos
Onde está a máquina que registra nossas inquietações?
E o scanner que captura nossas dúvidas?
Cadê o gravador de nossas lástimas?
Cadê o filtro que dilui nossas culpas?
Em que tipo de papel foi escrita nossa história?
Quantos megabytes tem nosso disco de memória?
Qual é o sistema que processa nossos dados?
Em que programa eles foram formatados?
E o scanner que captura nossas dúvidas?
Cadê o gravador de nossas lástimas?
Cadê o filtro que dilui nossas culpas?
Em que tipo de papel foi escrita nossa história?
Quantos megabytes tem nosso disco de memória?
Qual é o sistema que processa nossos dados?
Em que programa eles foram formatados?
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
O outro eu
Espelho quebrado por um soco: eu brigando comigo. Partiu. O espelho e o outro eu. Aquele que só é reflexo. Que não tem consciência. Que não consegue se esconder. Que mesmo disfarçado, se revela quando a gente fica na frente dele. Aquele lá não existe mais por inteiro. Só em estilhaços. Fragmentos do outro eu. Adeus, outro eu.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
"O limite e sua negação"
Subiu as escadas como se escalasse uma montanha inexplorada. “O topo do mundo ficou mais longe”, pensou. Tinha razão. O mestre também já não era o mesmo com o qual estava acostumado. Bons encontros e diálogos haviam se travado naquele ambiente. Os móveis ainda eram os mesmos, mas tudo ao redor estava mudado. De certo modo, ele também não era mais o mesmo. Menos cabelos, alguns já assumindo tons embranquecidos. Rugas no rosto, fruto das inúmeras vezes em que franziu a testa diante de algum dissabor. A conversa foi rápida, mas não obteve resposta que desejava. Mas também não podia dizer que havia decepção. “Fica tudo como está”, deduziu. Voltou a fazer riscos no calendário. Metade do caminho já havia sido percorrido. Agora, para frente ou para trás não faria diferença. Decidiu seguir. Enquanto caminhava, lembrou-se de alguns versos e sorriu.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
A cura
Um copo de café
Palavras cruzadas
Um souvenir
Um cochilo no sofá
A TV ligada sem som
Um solo de Jeff Beck
A simplicidade de Drummond
Um filme em um cinema de rua
Palavras cruzadas
Um souvenir
Um cochilo no sofá
A TV ligada sem som
Um solo de Jeff Beck
A simplicidade de Drummond
Um filme em um cinema de rua
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
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