sábado, 2 de outubro de 2010

O que vem depois?

Na primeira vez em que viu uma catástrofe de grandes proporções, estava envolvido nela. Não era o Apocalipse, mas para ele tinha o mesmo efeito. Não sentia dor. Não sentia nada. Não seria mais o mesmo se escapasse daquilo ali. Pensou em seus desafetos. Alguns deles devem ter morrido na explosão. Mas não achava motivo pra se sentir aliviado. Desprezando todo seu ceticismo, juntou as mãos e pediu socorro divino. Os bombeiros não conseguiam chegar no local onde estava. Sequer sabiam que havia alguém ali. Um barulho de escavadeira trouxe alguma esperança. Mas ele não chegou a ver. Apagou.

***

O escuro da visão deu lugar ao branco do teto e das paredes. A enfermeira acabara de entrar com uma bandeja. Ele quis perguntar onde estava. Ela fez sinal para que ele não se esforçasse para falar. Então ele ficou calado. Mas não pôde deixar de sorrir.

2 comentários:

.má oliveira. disse...

crê que isso lembrou meu sonho?

Lucia M. Ghaendt-Möezbert disse...

E o sem-número de possibilidades segue nos angustiando...