Subiu as escadas como se escalasse uma montanha inexplorada. “O topo do mundo ficou mais longe”, pensou. Tinha razão. O mestre também já não era o mesmo com o qual estava acostumado. Bons encontros e diálogos haviam se travado naquele ambiente. Os móveis ainda eram os mesmos, mas tudo ao redor estava mudado. De certo modo, ele também não era mais o mesmo. Menos cabelos, alguns já assumindo tons embranquecidos. Rugas no rosto, fruto das inúmeras vezes em que franziu a testa diante de algum dissabor. A conversa foi rápida, mas não obteve resposta que desejava. Mas também não podia dizer que havia decepção. “Fica tudo como está”, deduziu. Voltou a fazer riscos no calendário. Metade do caminho já havia sido percorrido. Agora, para frente ou para trás não faria diferença. Decidiu seguir. Enquanto caminhava, lembrou-se de alguns versos e sorriu.
3 comentários:
Sinto muito Márcio. Acho que só o tempo pra fazer ficar menos dolorido, os natais provavelmente serão sempre marcados. Só resta torcer pra que a saudade fique como uma coisa gostosa de sentir e não se plante como mágoa infinita. Força! É piegas, mas é verdadeiro.
beijos
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...e os tubarões receberam e sorriram porque subir escadas, sofrer e riscar o calendário eram alimentos pouco apreciados naqueles dias. Muitos não sabiam digerir, silenciar e pulsar.
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